quarta-feira, 21 de maio de 2014

Deformação

Ela acordou assustada, era madrugada de uma sexta-feira 13 qualquer e ela tinha horror de sextas-feira 13. Notou, ao se mexer, que um homem dormindo ao seu lado. Não fazia ideia de quem fosse. Pensou em gritar, mas ele parecia familiar, ou talvez fosse um pesadelo. Olhou para o quarto e não se lembrava dele, tampouco dos móveis. Os móveis estavam dispostos de forma que o dono do quarto parecia uma pessoa muito asseada, o que ela não era. Não sabia o que fazia ali. Pensou em seu próprio nome, mas não sabia qual era, tampouco qualquer coisa sobre sua história. Tentou dormir novamente, mas não conseguia lidar com o fato de que representava tão pouco para si mesma que sequer se reconhecia. A realidade a esmagava. Não era ninguém. A sua vida era vazia. Deformada, saiu para comprar cigarros, embora não tivesse qualquer ideia se fumava ou não, e não voltou.

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