sexta-feira, 24 de julho de 2015
Agonia
Acalma-te. O tempo cura tudo! Ouvia isso de si para si. Não curava. Algumas feridas eram perpétuas, pensava. Eram tão profundas que transcendiam. A alma sofria. A quê deveria recorrer? Não recorria. Deixava estar. Só a morte cuidaria, e essa realmente cuidava de tudo. Enegrecia a vida. Queria estar errado quanto a isso, mas era racional demais pra procurar provas onde não haviam sequer ilusões. Não era de esperar. Nem a morte. Um duelo. Estava doente, estava ínfimo, estava perdido. Já não renascia junto com as máscaras. Queria morrer, queria curar. Queria conceber uma vida verdadeira, ou se tornar a própria ferida, e ser a causa. Entretanto, a vida e a morte ninguém escolhe, e ele sabia disso!
sábado, 18 de julho de 2015
Realidades adversas
As máximas eram como lembranças não vividas. Olhava o céu e tentava se ver além dos trovões. A calda aquática era como sua infância. Esquecia-se nos pés suados de lama. Permanecia. Queria ser mais que propósitos ouvidos numa desconcertada alegoria de pássaros. Era trovão, mas silencioso como as máximas que cantarolavam os pecadores impecáveis. Se deixava ser, a não ser que houvesse em si uma mentira verdadeira que precisasse evoluir para fantasmas.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Entregas
E naqueles dias cinzas, amava com o coração cheio. Cheio de cinza, cheio de amor, cheio de não estar sozinho como o velho guarda-chuva que alguém esqueceu por não ter mais medo da chuva.
Apreciava cada pingo de chuva como se fosse calda de caramelo ou algum outro doce igualmente saboroso. Era livre enquanto andava pela chuva, era livre enquanto a olhava pela vidraça e prometia todo o seu coração molhado.
Não tinha mais medo nem da vida, nem da morte, entregou-se: a chuva, ao cinza, ao amor, a ela...
Apreciava cada pingo de chuva como se fosse calda de caramelo ou algum outro doce igualmente saboroso. Era livre enquanto andava pela chuva, era livre enquanto a olhava pela vidraça e prometia todo o seu coração molhado.
Não tinha mais medo nem da vida, nem da morte, entregou-se: a chuva, ao cinza, ao amor, a ela...
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Réquiem
Deitara-se. Os restos plantavam-se na solidão. A colisão de sensações cantarolavam. A sombra recheava o chão de frio. O réquiem condenava as almas à dançarem à luz da tristeza. Sem vigor as trevas fizeram pista, e o choro tornou-se o hino.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Futilidade
Tornava-se, a cada novo dia, mais fútil. No começo não se dava conta. As coisas eram tão naturais que passavam sem serem sentidas. A natureza morria ao redor, e ele não percebia. Deixava-se levar pela futilidade, porém a sensação de morbidez começava a devassá-lo. As vezes sentia a falta de sentido das coisas, sem se dar conta da causa. Os efeitos começavam a aparecer. A consciência começava a cobrar a dívida de uma vida solitária e pobre. O espírito morria, e ele também. Até que pereceu espiritualmente, e vagou sem consciência pela terra em plena ignorância!
sábado, 16 de maio de 2015
Enoitecido
Refúgio escuridão. À noite a realeza conhece a si mesma. Em si, enoitecido, os voos são rasos, e tudo o que há é mais que o que será. Os homens são projetos. Naturais. Imperfeitos. À noite o mar ecoa as trevas perpétuas. À noite ninguém é mais que si mesmo! Enoitecido o fruto é criador... e o tempo faz do homem perdedor.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Noite
Era madrugada. Andava aparentemente sem destino pelas ruas lúgubres da cidade. As vias eram escuras e sujas, repletas de restos humanos (vivos ou mortos). Suas mãos estavam sujas, eles estava sujo. Ninguém notava, inclusive ele mesmo. Ele continuava andando, e não dava atenção ao trânsito desordenado. Um homem sentado disse ao vê-lo passar: - "Aquele parece buscar a morte!". Talvez fosse isso, mas a morte - desatenta - não fez questão.
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