sexta-feira, 24 de julho de 2015

Agonia

Acalma-te. O tempo cura tudo! Ouvia isso de si para si. Não curava. Algumas feridas eram perpétuas, pensava. Eram tão profundas que transcendiam. A alma sofria. A quê deveria recorrer? Não recorria. Deixava estar. Só a morte cuidaria, e essa realmente cuidava de tudo. Enegrecia a vida. Queria estar errado quanto a isso, mas era racional demais pra procurar provas onde não haviam sequer ilusões. Não era de esperar. Nem a morte. Um duelo. Estava doente, estava ínfimo, estava perdido. Já não renascia junto com as máscaras. Queria morrer, queria curar. Queria conceber uma vida verdadeira, ou se tornar a própria ferida, e ser a causa. Entretanto, a vida e a morte ninguém escolhe, e ele sabia disso!

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