sábado, 2 de setembro de 2023
Tempo
quinta-feira, 13 de abril de 2023
13423
Continha um semblante sério. Compenetrado. Tenso. Parecia expressar uma espécie de concentração, mas sua mente não estava ali. Nunca estivera. Ela olhava para tela, e anotava coisas que pareciam importantes. Nada era. Havia um coque nos cabelos, cujos fios estavam especialmente penteados para dar lugar ao pescoço, às orelhas e às joias aurirrubras. O ombro direito estava desnudo. A camisa cinza cobria parte do braço, enquanto abraçava o resto do tórax. O busto estava desenhado pelos movimentos da trama. Ela movimentava a cabeça para os lados tirando parte da tensão. A boca, levemente rósea, sussurrava mantras inaudíveis. Com uma das mãos macias e carinhosas, que tinha unhas curtas e pretas, massageava o pingente vermelho com pequenos movimentos de amassamento. A outra mão apoiava-se numa tela enquanto segurava uma caneta preta e fazia movimentos retilíneos. Ela beliscava desapercebidamente os lábios e levantava sutilmente a sobrancelha. Um ventilador instalado ao fundo balançava levemente minúsculas mechas de cabelo, e ela mudava a direção da cabeça para consultar os textos ao mesmo tempo em que passava a língua e escondia os lábios. Ela suspirava e enchia o pulmão de ar. Depois dobrava a boca durante alguns segundos para expirar. Aos sussurros continuava engolida pela concentração desconcertante. Sem que percebesse foi surpreendida por uns lábios que passearam de seu ombro desnudo até seu pescoço, fazendo-a arrepiar e fremir. Como que se esperasse pelo enleio, deixou-se dominar e consumir pelas mãos que a devoravam enquanto a noite simplesmente sucumbia.
quarta-feira, 20 de julho de 2022
sexta-feira, 23 de julho de 2021
Uma história de amor
domingo, 28 de março de 2021
Multiverso
Quando, em uma certa manhã da primavera de dias absurdamente esquecidos, se deu conta de que poderia viajar pelo multiverso, resolveu acender um cigarro, que fumou calmissimamente, e começar a ler Charles Baudelaire.
domingo, 13 de dezembro de 2020
Perdido
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
Eu sou
a água que corre
o ar que alaga,
a lua que apaga.
a terra sem chão,
a céu da idade,
o tempo-cidade.
Eu sou a luz,
o fio de rumo
a estrela pendente
a vida cadente!
A eternidade ausente,
O fim do nada,
E tudo em si!
e não há nada,
além de mim,
que não seja você!
sábado, 8 de agosto de 2020
Exausto
Teto tem sentimentos? A cor parece desbotar como quando a terra era um deserto de vida! O que é vida?! Nada faz sentido. Esse teto. Como ele se sente sendo útil, sabendo sua utilidade para a existência de outras “coisas”. O peixe deve saber. Aquela vez ele sorriu pra mim, eu sei que sim. Senti o cheiro mesmo mergulhando em suas lágrimas. Será que we somos inteligentes a ponto de compreender o sentimento das coisas? A corda bamba pode não gostar da sua utilidade. O teto! Aquela aranha no canto tocando sua vida. Uma existência ativa e pacífica. Deveria perguntar sobre o Deus dela. Deve estar cansada dessas coisas sem sentido. Que sentido?! O teto é uma realidade. Estou deitado?! Quero estar. O rio que passa na cidade tem cheiro de vidas passadas e ninguém se pergunta o que isso quer dizer. Alguém pode estar vivo e pouco se importando com todo esse rolo. O que o monge faz? O teto continua sem responder. Eu deveria gritar, talvez ele seja surdo! Se eu tocar. Beethoven deveria entender o som do mar, a coisa toda dos sons intransmissíveis. O som do peso da vida. O teto tem olho? Olho que vê? Olho que cheira? Olho que ouve? A cor parece desbotada e sem existência. Desbotado! Quem inventou isso (des-bo-tar. Eu desboto!? Minhas botas são parte da poeira que elas carregam e há uma circunstância extrema entre fingir ser bota e poeira? Confuso! O teto me dá sono!
terça-feira, 14 de julho de 2020
Esquecimento
Novo dia
sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
Escuridão
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
A promessa
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Amadurecer
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
o Fim!
[e eu não sabia.
Amando eu era alguém,
[e só amando eu sorria.
E quando a noite vã
[por vezes me invadia,
Amar era tudo,
[e eu me soia!
Por que esse era o fim,
[quando o fim não existia.