domingo, 13 de dezembro de 2020

Perdido

Abriu a porta da sua casa e saiu sem se dar conta dos detalhes estranhos e fantásticos que pareciam ocorrer. Andou rápido e ao piscar se viu sentado em cadeira executiva numa sala com muita iluminação. Estava diante de um computador que estava aberto no site do jornal de grande circulação da cidade. Levantou-se e andou com ainda  mais pressa procurando a saída e ao ver a porta... piscou. A próxima imagem reproduzida por seus olhos eram de carros passando a toda velocidade. Viu-se sentado num banco de um ponto de ônibus em algum lugar central da cidade. Como não fazia ideia de para onde estava indo resolveu não sair do lugar. Estava inquieto e profundamente perturbado. O vazio que aquela sensação lhe trazia era devastadora. Quis pensar em formas de não se permitir piscar. Pensou em fechar os olhos e não mais abri-los, mas com o pensamento veio o medo de que pudesse ser conduzido para qualquer lugar que não fazia a menor ideia ou ficar vagando entre vários espaços simultaneamente ou ficar preso entre dimensões de sua mente. Não sabia ao certo, mas não queria piscar. Enquanto se esforçava para não piscar, piscou e surgiu diante de si um lugar parecido com um banheiro - era um banheiro. Ele tentou se recordar do local, em vão. Não fazia ideia do que estava acontecendo e só queria voltar a ter controle sobre sua vida. Fechou os olhos, numa tentativa de se reorganizar, e ficou assim por período metafisicamente inexpressivo. Quando abriu os olhos continuava perdido, mas aquele lapso de escuridão lhe mostrou o que tinha que fazer.

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