Deveria acordar sujo do sonho dantesco. Suado e fétido, sem perdão pela maestria com que eu me vinguei da minha própria insipiência e antipatia. Deveria acordar estarrecido, como quem procura o sol no quarto escuro e puído. Deveria acordar a ilusão do bom dia que não existe, do tédio que persiste e me encaminha para a retidão, para o fingimento. Deveria acordar verdadeiro, sem medo do que vão pensar sobre o que jamais saberão. Deveria acordar, e não decidir nada antes do último arrebol. O sol nasceu e eu acordei mais uma vez na utilidade das coisas que fazem sentido para quem quer que elas façam algum sentido.
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