Você que está lendo. Você mesmo. Essa história é pra você. A primeira vez que ela me veio a cabeça já tinha você como destinatário. Era como que uma carta, um e-mail, com remetente pré-destinado. Eu não pensava nas palavras, mas nos teus olhos ao tocá-las. Sempre soube, caro leitor, que você sentiria as palavras, como eu as sentia. O beijo que eu programei para o primeira capítulo do conto era pra você, era seus lábios que estavam lá. O protagonista morrer no final, é culpa sua. Eu vejo seus olhos agora mesmo sobre a cena. O protagonista esquartejado. A boca dele soprando sangue enquanto ele balbucia algumas palavras para seu algoz, e você com olhos de surpresa ou de entusiasmo. Você quis isso, você o fez morrer. A mulher do protagonista ficar louca e também morrer, também é culpa sua. Eu sei que você não se sente culpado. Que a morte deles não pesa em sua consciência, e que você não tem controle sobre a morte, inclusive aqui. Caro leitor, não se engane, esta história não é sobre o que você lê, mas sobre o que você é. Essa história é sua, você quem, de alguma forma, transformou-a no que ela é. Caro leitor, a responsabilidade é toda sua.
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