terça-feira, 8 de abril de 2014
Coveiro
Desde criança o pequeno Paulo afirmava que queria ser coveiro quando crescesse. Tal afirmação causava risos em alguns, espanto em outros, lhe perguntavam se ele sabia o que era ser coveiro, afinal. E Paulo descrevia rapidamente a profissão, reafirmando que era o que queria ser quando crescesse. D. Ana, mãe do pequeno Paulo, saia fazendo o sinal da cruz e dizendo: "Que é que esse moleque tem na cabeça? Quem gostaria de viver enterrando os mortos? Valha-me Deus!". Paulo cresceu e realmente virou coveiro. Foi uma das poucas crianças da pequena cidade que realizou um sonho de criança, era feliz e ninguém ainda tinha entendido o porquê da escolha daquela profissão, mas Paulo sabia: ele queria enterrar mortos diariamente para dar valor constante à vida.
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