terça-feira, 29 de abril de 2014

Notícia moderna (4)

Mulher que fez dezenas de plásticas para ficar parecida com a Barbie, processa a Barbie por plágio do seu atual nariz e das covinhas em "local estratégico" das bochechas. Até o momento, a Barbie não se pronunciou.

domingo, 27 de abril de 2014

Sonho

Estava em um sonho terrível. O lobo mal havia invadido sua casa, durante a madrugada, e o havia comido vivo. Durante o ato o lobo olhava seus olhos perderem a vida. A cena era terrível, e ele pensava no próprio sonho que não podia ser uma premonição, já que lobo mal era ficção infantil, todavia o que ele não sabia é que o próprio sonho lhe matara.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dia que esconde

Era um daqueles dias que causava um impacto logo ao acordar. O céu era claro, azul e limpo. O sol brilhava intensamente, e emitia calor em abundância. Ele tinha a sensação de que o dia escondia alguma coisa, mas era apenas gripe.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Inverno

Numa noite fria de verão. Acordou atordoada. O frio era terrível e, apesar de estar usando todos os cobertores disponíveis em sua casa, continuava a bater os dentes. Levantou e tentou ficar perto da lareira. Sem sucesso. Quando o relógio soou treze vezes, ela saiu de casa e o sol era tórrido. Sem alternativas, pediu calor ao ex-marido.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Maria

Maria era o tipo de mulher que todo mundo dizia que tinha o dedo pobre pra escolher homem, e tinha mesmo. Nenhum dos noivos lhe fora fiel, e pior, nenhum escondia as canalhices. Quando Maria já ia pelos vinte e poucos a família já começava a reunir e debater o futuro dela. Diziam que mulher sem marido era um pecado. Maria era resistente, não casava. Aconteceu, porém, que arranjaram o casamento. Maria, que resistiu o quanto pôde, viu-se obrigada, mas declarou: Caso, mas se ele tocar outra mulher eu mato. Casou. Após um ano de casamento, Maria não tinha o que reclamar do marido que, aos olhos dela, era fidelíssimo. Os vizinhos, todavia, diziam que ele usava luva com as outras.

sábado, 19 de abril de 2014

Jesus

Jesus, filhos de pais demasiadamente religiosos, até os 13 anos freqüentou a igreja. Depois disso só queria saber das menininhas, igreja não freqüentava mais. Jesus bebia, fumava e vivia a boêmia. O pai sempre resmungava: "onde eu errei", e Jesus ressaltava, entre umas e outras, que a existência, em si, repelia qualquer tipo de erro ou vício. Que a vida não comportava explicações teóricas, só experiência, e a experiência lhe dizia para viver sem restrições. Foi o que ele fez, até ser crucificado por não ter emprego fixo e diploma.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pedro

De uma ignorância incomensurável, Pedro, não costumava viver, mas fazer o que era preciso. Casou-se com Ana, por exemplo, não por amor, mas simplesmente por que alguém da escola secundária disse que ele não poderia fazê-lo. O ápice da ignorância de Pedro se deu quanto, numa viagem ao Chile, algum residente falou algo que ele não entendeu o que era, até por que Pedro não entendia nada em outro idioma, mas lhe pareceu um desafio. Ocorre que o residente havia falado "Andar en Vulcan", que deveria ser traduzido como: pilotar a moto "Vulcan", entretanto Pedro, sem ouvir ninguém, já começava a subir Quizapu.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Helena

Conhecida como bisturi da morte, Helena, 34 anos, morena, olhos claros e vibrantes, corpo sinuoso, estava perdida na caverna do Aroe Jari. Saíra de seu chalé no centro da Chapada dos Guimarães bem cedo, pois o sol sequer havia denunciado o dia. O celular não funcionava no interior da caverna, e Helena começou a ficar nervosa com seu próprio perdimento. Quando já se iam mais de três horas de desencontros viu uma pequena luz, e, instintivamente, correu. Pisou num encontro de rocha, no que seu pé esquerdo sofreu fratura e ficou preso. Ela, como boa aventureira, havia levado alguns utensílios, entre eles uma faca. Quando começou a escurecer e a perna a gangrenar, Helena precisava fazer sua escolha. Ela pegou a faca... sabia o quer tinha que fazer. O único problema é que ninguém havia sobrevivido ao bisturi da morte.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Gim ou decadência

Um bar escuro, um solo de guitarra, uma dose de gim. Já bêbada, tentava se equilibrar com (ainda mais) dificuldade em cima do salto 15, os olhos já estavam borrados e fundos e a articulação de palavras era difícil como se estivesse aprendendo a falar. Desejava de todo o coração esquecer das horas anteriores, do beijo amargo, do puxão no braço, do pedido de desculpas, das lágrimas, do gim, do menino que beijou sem nem ver... tudo escureceu, afogou-se em uma poça de vômito ou de sua própria dignidade ao chão.

domingo, 13 de abril de 2014

A santa

Era desconfiadíssimo. Duvidava da mulher até nas coisas mais simples. Certa vez, quando eram ainda namorados, ela demorou - até demais - no banho, ele, desconfiado, foi verificar no banheiro. O sogro quase o esbofetou. Após o casamento, a desconfiança só aumentava. A única local da qual ele não duvidava era da igreja, e era lá que o tudo acontecia.

sábado, 12 de abril de 2014

Segunda-feira

Abriu os olhos com tamanha dificuldade. O quarto ainda estava escuro. O desejo de que fosse madrugada acabou-se com o barulho da chuva. Rastejou até o banheiro pouco sabendo o que fazia. Era segunda-feira, eram seis horas da manhã, era uma manhã tempestuosa e fria. Precisava de forças: preparou um café duplo extra-forte e escondido num canto do quarto, admirou a foto dela e a amou em segredo mais um vez.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A vida

Queria encontrar o amor de sua vida. Tinha imaginado a cena perfeita. Pôr-do-sol. Ponte. Ele chegando, tímido e conversando. A vida só lhe ofereceu cerveja, Reginaldo Rossi e Joaquim Francisco, o matuto.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Amor correspondido

Maria amava Lucas desesperadamente e vivia reclamando que não era correspondida enquanto afundava-se em chocolate, travesseiros e filmes onde desejava que Lucas fosse seu mocinho apaixonado. Lucas, no outro canto da cidade, amava desesperadamente Rita e, afundado em cervejas, bares sujos e música alta, tentava esquecer esse amor não correspondido. Enquanto isso, Rita dormia suavemente em sua cama. Rita era correspondida, amava-se apenas a si própria.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Leitor

Você que está lendo. Você mesmo. Essa história é pra você. A primeira vez que ela me veio a cabeça já tinha você como destinatário. Era como que uma carta, um e-mail, com remetente pré-destinado. Eu não pensava nas palavras, mas nos teus olhos ao tocá-las. Sempre soube, caro leitor, que você sentiria as palavras, como eu as sentia. O beijo que eu programei para o primeira capítulo do conto era pra você, era seus lábios que estavam lá. O protagonista morrer no final, é culpa sua. Eu vejo seus olhos agora mesmo sobre a cena. O protagonista esquartejado. A boca dele soprando sangue enquanto ele balbucia algumas palavras para seu algoz, e você com olhos de surpresa ou de entusiasmo. Você quis isso, você o fez morrer. A mulher do protagonista ficar louca e também morrer, também é culpa sua. Eu sei que você não se sente culpado. Que a morte deles não pesa em sua consciência, e que você não tem controle sobre a morte, inclusive aqui. Caro leitor, não se engane, esta história não é sobre o que você lê, mas sobre o que você é. Essa história é sua, você quem, de alguma forma, transformou-a no que ela é. Caro leitor, a responsabilidade é toda sua.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Coveiro

Desde criança o pequeno Paulo afirmava que queria ser coveiro quando crescesse. Tal afirmação causava risos em alguns, espanto em outros, lhe perguntavam se ele sabia o que era ser coveiro, afinal. E Paulo descrevia rapidamente a profissão, reafirmando que era o que queria ser quando crescesse. D. Ana, mãe do pequeno Paulo, saia fazendo o sinal da cruz e dizendo: "Que é que esse moleque tem na cabeça? Quem gostaria de viver enterrando os mortos? Valha-me Deus!". Paulo cresceu e realmente virou coveiro. Foi uma das poucas crianças da pequena cidade que realizou um sonho de criança, era feliz e ninguém ainda tinha entendido o porquê da escolha daquela profissão, mas Paulo sabia: ele queria enterrar mortos diariamente para dar valor constante à vida.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Correria

Acordou atrasado. Pulou da cama e, sem tomar banho, correu para o carro. Olhava o relógio a cada minuto, como se o olhar, de alguma forma, diminuísse a velocidade do tempo. As ruas tinham poucos veículos, ainda assim ele furou todos os semáforos até o escritório. Subiu as escadas do escritório, pegou uma pasta que estava sobre a mesa, e saiu, sem sequer cumprimentar o porteiro. No meio do trajeto recebeu uma ligação. Ele era tão atarefado que até a morte marcou horário.

domingo, 6 de abril de 2014

As aparências enganam

Quando nasceu deram-lhe o nome de Angélica de tão doce e angelical que era. Cresceu linda e meiga com cabelos loiros cacheados e olhos azuis muito brilhantes e todos que a viam se encantavam instantaneamente. Angélica acostumou-se a conseguir tudo o que queria com a sua meiguice e face angelical. Foi assim que Angélica tornou-se uma das pessoas mais más que este mundo já viu, era uma terrível manipuladora, um demônio com olhar de anjo.

sábado, 5 de abril de 2014

Probabilidades

Sentou-se exatamente no meio da sala. Haviam cinco portas. Ele deveria abrir e entrar em apenas uma. A probabilidade era 1/5 ou 20% de encontrar o que procurava. Atrás de uma daquelas portas estava uma vida prospera. Queria abrir a primeira porta, mas sempre pensava se não era cedo demais!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Sobre a vida

Dezoito horas. Final de expediente. A rua tão cheia de almas tão vazias vivendo em pessoas apressadas. Com a mesma pressa, infiltrou-se na multidão que corre contra o tempo da vida. Era mais um agora, mas não fora apenas mais um preso no escritório com a pilha de papéis durante as longas oito horas em que fingiu viver atrás da mesa? Corria para chegar em casa e viver a mesma vida medíocre.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

No ponto de ônibus.

Era quinta-feira 13. Ele esperava o ônibus ansioso. Estava indo encontrar o amor de sua vida, que após 12 anos de casamento, resolveu abandonar tudo e viver o momento. Ele pegou o ônibus, foi até o local combinado. Ela não apareceu, pois o filho teve febre.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O contador de estórias

Ele era um contador de estórias desde sempre. As mais magnificas, as mais surpreendentes, as mais incríveis e surreais estórias eram sabidas pela boca dele. Transformava em encantadoras as menores situações cotidianas com sua imaginação fértil demais. Para alguns era um lunático, para outros, um mentiroso compulsivo, mas poucos compreendiam que ele só transformava o mundo num lugar mais bonito e divertido, dando cor as coisas antes cinzas. E assim, de contar estórias foi que escreveu a mais bela de todas: a estória da sua vida.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Problemas

Passeava pelo zoológico. Tentava espairecer, pois a vida estava tumultuada demais. Problemas. Eram os problemas que fazia tudo ficar complicado. Ele gostava dos problemas, mas era difícil conviver com eles sendo péssimo de matemática, como era.