segunda-feira, 21 de julho de 2014

Pecado

Meus pecados a mim interessam.
Produtos de mim ou eu deles,
convivemos em pequena paz.
Pequena porque não cessam,
escondem-se sob as minhas peles,
tornando-me sábio ou incapaz.

Somos cargas magnéticas inversas,
tão necessários um ao oposto,
que sem eles sou nada, nulo.
E por mais que hajam ruas perversas,
a caminhada pecaminosa dá gosto,
por ser da experiência o veículo.

Os pecados não possuem um fim,
vivem por ai, dentro de mim,
me tornando maior e tacanho,
alegre, algoz, triste ou estranho.
Mesmo que fosse pecado-virtude,
de fora ninguém veria a plenitude.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dreams

Estivera sentado à beira do rio,
o chão era quente, o céu era frio.
Só se ouvia a água e seu chiar.
Parecia que estava a sonhar.
Poderia ser tudo idealização,
da cor do céu ao cheiro do chão.
Pra ele estava tudo tão bom,
que nada macularia o frisson.
Que fosse a vida um sonho,
um verso d'um deus risonho;
Fosse flor de verão,
fosse inútil invenção.
Viver, mesmo na imaginação,
os ternos dias da estação,
era uma dádiva do universo,
mesmo sendo só um verso.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Destino

Pra ela não havia noite, pra ele não havia dia. Eles se desencontravam. Andavam pelo mundo cada qual no seu turno. Ela procura alguém como ele, e ele alguém como ela. Formariam um belo casal, mas o destino tem sempre umas coisas e tal.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A noite

Ela parou pra ouvir o que a noite dizia. Sentou-se no meio-fio. Olhou para o céu. Ouvia um sussurro, nada que pudesse identificar. Esforçava-se para ouvir. Canalizava sua atenção. A noite expandia, caia por todos os lados do céu. Ela atenciosa ouvia. Lá fora era silêncio. Também ouvia um som que parecia ser lamento, mas esse, para engano dela, não vinha de fora. Vinha de dentro.

terça-feira, 15 de julho de 2014

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Inverno

Amanheceu, e ainda é inverno.
O céu, meu teto de alabastro,
está impecável e sem rastro
daquele sol outrora eterno.

Já não me lembro do dia terno,
com a qual respirava brandamente.
Agora o desassossego é reincidente,
minha ilusão é chão qual hiberno.

Nada há que afaste a sensação,
de que afogado estou no deserto.
Embora o meu seja mundo-cão,

me apego em mim, me descoberto,
e enquanto afogo na ilusão,
espero no inverno o sol do verão.

For Lucy

Colhendo as margaridas do jardim.
Lucy, vai, e deixa o inverno, vem e leva o verão.
Eternamente inconstante, e constantemente assim.
É o céu e o inferno.
É inércia e ação.
É tenra, é errante.
Mas deixa sempre um sorriso,
profundo, complexo, conciso.