sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Inexistência

Ele já não saia de casa há dias. Nos primeiros, o telefone tocava sem parar. Talvez fosse o chefe. Talvez a paquera da qual ele não retornou as ligações. Talvez fosse algum familiar. Não importava. Ele estava disperso, e, embora acordado, inconsciente. Fixara o teto do quarto por bastante tempo. O teto continha um papel de parede de galaxias. Um desenho fabuloso, mas que, para ele, apequenava a existência de qualquer um. Após dias admirando o desenho, sentia-se inane, completamente. A sua existência era material e frívola. Seu corpo era mero objeto de uma realidade inexplicável, e pensar nela era demais para um cérebro fatigado. A solidão não existia, pois no estado de absorção em que ele se metera a vida e a morte andavam de mãos dadas.

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