Sentia um gosto amargo na boca. O amargor começava no fundo da língua, e contaminava toda a boca. O gosto era terrível. Não se lembrava de ter bebido ou comido nada, alias só comia depois do meio-dia e ainda faltavam quinze para as onze da manhã. Ficou intrigado com aquele gosto. Pensou que poderia ser algo na repartição em que trabalhava, mas, ao consultar os colegas, ninguém se identificou com o problema. Ao voltar do almoço, sentiu que o problema permanecia, e se acentuava quando admirava alguns fatos. Notou que o amargo decorria de um fenômeno estranho. A Marcinha, que nunca aceitara sair consigo, estava correspondendo a caricias. Foi então que ele provou fisicamente da desilusão.
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