segunda-feira, 25 de maio de 2015

Futilidade

Tornava-se, a cada novo dia, mais fútil. No começo não se dava conta. As coisas eram tão naturais que passavam sem serem sentidas. A natureza morria ao redor, e ele não percebia. Deixava-se levar pela futilidade, porém a sensação de morbidez começava a devassá-lo. As vezes sentia a falta de sentido das coisas, sem se dar conta da causa. Os efeitos começavam a aparecer. A consciência começava a cobrar a dívida de uma vida solitária e pobre. O espírito morria, e ele também. Até que pereceu espiritualmente, e vagou sem consciência pela terra em plena ignorância!

sábado, 16 de maio de 2015

Enoitecido

Refúgio escuridão. À noite a realeza conhece a si mesma. Em si, enoitecido, os voos são rasos, e tudo o que há é mais que o que será. Os homens são projetos. Naturais. Imperfeitos. À noite o mar ecoa as trevas perpétuas. À noite ninguém é mais que si mesmo! Enoitecido o fruto é criador... e o tempo faz do homem perdedor. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Noite

Era madrugada. Andava aparentemente sem destino pelas ruas lúgubres da cidade. As vias eram escuras e sujas, repletas de restos humanos (vivos ou mortos). Suas mãos estavam sujas, eles estava sujo. Ninguém notava, inclusive ele mesmo. Ele continuava andando, e não dava atenção ao trânsito desordenado. Um homem sentado disse ao vê-lo passar: - "Aquele parece buscar a morte!". Talvez fosse isso, mas a morte - desatenta - não fez questão.