Dormia todas as noites pensando em seu destino. Pensava em como era difícil ser ele mesmo. Fazer as escolhas que lhe convinham, tratar-se com aquele desleixo natural das pessoas sem um pingo de amor-próprio e sobretudo sentindo-se um completo inútil. A vida não era fácil, mas ele dormia! E ressuscitava todas as manhã sem expectativas de noites melhores.
segunda-feira, 30 de março de 2015
quarta-feira, 18 de março de 2015
Herança maldita
Ele era um homem comum. Desses que a gente vê em todas as esquinas de todas as cidades. Nasceu ouvindo do pai "Engole esse choro, moleque de merda. Homem que é homem não chora.", a mãe nunca o deixou lavar uma louça, até porque, se fizesse isso, levava safanão do pai quando este chegava tarde da noite embriagado.
Nisso, tornou-se o mesmo homem que odiava tanto quando criança, tornou-se o único homem que sabia ser, já tinha entendido que era um "homem de merda" e assim perpetuava essa herança maldita gritando com o filho, batendo na mulher, embriagando-se, cantando as meninas pelo caminho.
Nisso, tornou-se o mesmo homem que odiava tanto quando criança, tornou-se o único homem que sabia ser, já tinha entendido que era um "homem de merda" e assim perpetuava essa herança maldita gritando com o filho, batendo na mulher, embriagando-se, cantando as meninas pelo caminho.
terça-feira, 17 de março de 2015
Marcela
De manhã Marcela chovia. Se arrastava até o trabalho com uma falta de esperança digna de fazer uma criança desejar voltar instantaneamente ao ventre materno por entender que a humanidade está mesmo perdida. Ao passar do dia Marcela ia ensolarando, um sorriso brotava e uma pequena luz de esperança vaga e boba acendia seu olhar. Aos sábados, Marcela brilhava no esplendor da noite pra depois, florescer nas manhãs de domingo. E todos os dias, Marcela era meu amor.
Assinar:
Comentários (Atom)