terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Miniconto do aperto
Se eu já me livrei de um sapato que me apertava um mísero dedinho no pé, por que eu não me livraria de um amor que me aperta o coração?
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Contemplação
Sentou-se em uma cadeira e debruçou a cabeça sobre o corpo. Alisava sua barba, enquanto algumas lágrimas a remetia ao passado longínquo. O rosto já deformado pela tragedia enegrecia o ambiente. A vida ali se desfazia. O sofrimento era um álbum de recordações. E como se o tempo parasse, sentia-se a tristeza e o regozijo de tudo que vivenciaram. O tempo parou ali, enquanto o corpo era velado. A morte levava a alma, e ninguém tinha mais tempo para pensar na vida. Só o tempo diria se a vida ou a morte merecia mais atenção. Naquele instante, entre a vida e a morte, o tempo não tinha razão. Não existia tempo!
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Desordem
O céu descoloria.
Cor, arco-íris caia!
Gotículas de sapo escuro!
Púrpura semente puro.
O céu de calor ria.
Cor, arco cinza pia.
Regozija preto furo,
Bebendo teto escuro!
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Raiava-se: poluto.
Ingrato. Insolente. Inconsequente.
Sentia-se mais gente que a gente,
Era mais que mais e nada além!
Era pobreza,
ainda que em sua alteza.
Cheira sujeira, e pó de enxofre.
Até aparentava-se doce,
Mas não!
Não era nada além
De versos sem sentido
Num muro velho e desgastado
Da rua abandonada pelo tempo.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Iluminação
Tem horas que o riso vai:
Escurece o mundo e o dia.
E ninguém conta pra gente
Quando é que vai clarear.
Mas sempre há um sorriso:
Bobo e bonito sorrindo
E uma luz se faz porque
Um amigo iluminou o dia.
Escurece o mundo e o dia.
E ninguém conta pra gente
Quando é que vai clarear.
Mas sempre há um sorriso:
Bobo e bonito sorrindo
E uma luz se faz porque
Um amigo iluminou o dia.
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Sem medida
Nunca teve medida para nada na vida. Para tudo era grande, exagerado... ou, em algumas ocasiões, pouco, nada! No primeiro amor doou-se como se fosse eterno, comprou-lhe o maior e mais caro dos diamantes e ela partiu deixando o coração estilhaçado no chão. Resolveu mudar, mas não sabendo usar nada com moderação e ainda sem medir nada, no próximo amor não amou. Apenas esteve ali, parado, sem emoção, sem tesão... Ela terminou. Ele sentiu falta do coração despedaçado de outrora, que sofria, mas ao menos sentia e voltou a amar sem medidas.
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