segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Felicidade

Ria solitário sentado na calçada da sua casa. Os transeuntes o olhavam com uma curiosidade felina. Pareciam querem penetrar aquele riso para entender de onde vinha aquela felicidade genuína que ele apresentava.
Ele ria, e ria. Depois de um tempo pessoas pararam para ver. Criaram um circulo envolta do homem feliz. Cochichavam uns com os outros enquanto olhavam com atenção à cena. Alguns até riam junto e seguiam a vida. Outros mantinham-se sérios e ranzinzas, tentando entender o motivo de tanto riso.
Após algum tempo o homem teve seu tom de pele modificado para um vermelho. O tempo passava e a vermelhidão em seu rosto era mais e mais evidente. Entretanto o riso não cessou. Ele ria, como que numa felicidade intransponível. Permaneceu assim por horas. As vezes, parecia lhe faltar um pouco de ar, mas nem isso o fizera cessar.
O número de pessoas aumentava enquanto as risadas pareciam cada vez mais uma expressão autêntica de felicidade. As pessoas paravam, olhavam, questionavam os demais e tentavam entender o motivo de tamanha felicidade. Alguns pareciam se incomodar demasiadamente com aquele ato. Diziam: - É um desrespeito. Uns concordavam, outros não.
Quando o homem pareceu passar mal, a maior parte das pessoas ficou olhando. Enquanto o homem morria de felicidade era possível notar alguns sorrisos na plateia. A ambulância chegou, e ainda era possível ver um sorriso em silêncio.
Enquanto os paramédicos reanimavam o homem, parte do público saia feliz com o desfecho.

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