segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Perdimentos #1

Arrependia-se muito! Vivia sob os olhos amargos e pesados do censor. A censura era natural em sua vida. Viver trinta anos sob o efeito destas drogas fazia muito mal às suas predileções, mas ele queria ter o direito de reagir. Cadê a coragem nessas horas? Ele queria fugir (e tenho que comentar que ele sempre fazia isso), mas quando a fuga era de tudo e todos, ele não tinha coragem. Não era completamente covarde, apenas um daqueles caras moles que tinham medo. O medo estava escondido em tudo, e por que viver sem ele (ele pensava). Por algum motivo o medo (pra ele) representava o meio de defesa do mundo, mas não era só isso. Não era. Era um mundo solitário, pesado, constrangedor e muito conflituoso. Ele queria prometer deixar o medo. Ele realmente queria. Seria uma separação dolorosa e inesperada. Nem carta de despedida deixaria. Simplesmente abriria a porta e tomaria um rumo qualquer. Tinha certeza de que a coragem o esperaria do lado de fora da porta, mas abri-la requereria muito mais dele. Talvez outros trinta anos, talvez choque, talvez uma nova dimensão. Quem sabe? Ele até chegou a abrir a porta, algumas vezes, mas, antes de sair, sempre olhava pra trás!

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