quinta-feira, 8 de setembro de 2016

[In]decifráveis

Mal, e por que não?
Afinal nem tudo é
o que deve ser.
O ser é, apenas.
O é em si e sem mais.
É tudo o que traz,
além do que há.
Sempre haverá,
para que haja mais.
Só.
Até que não haja,
e o pó seja pó.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Stereo

Cisma-se na canção!
E pra que? Sem razão?
Outrora até veria ondas
Nas matizes insculpidas.
Viver-se-ia nas perdidas
Dualidades d'umas rondas
inconstante de solidão
Pra viver além do pão!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Reverberações

Deixa-nos intrigados
aquelas inquietações,
solilóquios, pretensões...
no âmago arraigados.
Tais como reverberações,
que reagem com o externo
para impor o inferno
em nuances de estações.
Reverberam intenções,
que parecem não ecoar...
e é tal qual o ato de fumar,
na qual, a força dos pulmões
não fazem com que a fumaça
abandone a carcaça.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Repetições

Eu repito os dias,
que se repete a si.
Repetidos somos
partes do que não
somos, e não somos
mais o que éramos.
Dias, noites, eu...
Repetidos perdemos
o todo, e nada somos.
Eu perdi, você perde,
ele perdeu!
Repetidos murchamos
no tempo da insignificância,
repetindo em abundância.
Repetidos descontinuamos.


Naufrágio

De encontro à parede!
Naufragando, temendo se afogar.
A vida é esse fogo que queima
e cura, mata e revigora.
Estão naufragando, sem saber.
Estão perdidos no meio do
nada. Nada. Nadem.
Não. Sair do ponto é crucial.
Queima, às vezes, fica cru,
é recuo do naufrágio.
Afundar? Para o nada?
O mar leva, traz, balança...
Amar também...
Naufrágios nos revigoram,
desde que deixemos as paredes,
os muros e os afogamentos.
Naufrágios nos recuperam,
na era em que se afogar é o mar
em que queremos morar.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Esquecimento

Não há já aquele descontentamento,
pueril regozijo, ócio das coisas pequenas,
andar sem destino, procrastinar, viver
a boêmia insólita d'um bairro decadente.

Não se vê o pequeno no pensamento,
apenas ilusões dezenas, centenas...
Talvez até milhares, até doer.
Ninguém esquece o presente,

e deveriam, pois há sentimento
nos crimes, como há nas penas,
embora seja difícil entender
tudo o que aqui é existente.

Por que não esquecer o momento?
Ou lembrá-lo como é apenas?
Esquecer de viver e de morrer,
e no esquecimento resistente

esquecer que não há comportamento
que seja apto a todas as cenas
da vida em seu pleno amadurecer,
não há! Não há viver permanente.

Só esquecendo o conglobamento
de emoções virtuosas e profanas,
que eclodem a cada amanhecer,
para morrer e viver impubescente.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Miniconto do aperto

Se eu já me livrei de um sapato que me apertava um mísero dedinho no pé, por que eu não me livraria de um amor que me aperta o coração?