sábado, 16 de maio de 2015

Enoitecido

Refúgio escuridão. À noite a realeza conhece a si mesma. Em si, enoitecido, os voos são rasos, e tudo o que há é mais que o que será. Os homens são projetos. Naturais. Imperfeitos. À noite o mar ecoa as trevas perpétuas. À noite ninguém é mais que si mesmo! Enoitecido o fruto é criador... e o tempo faz do homem perdedor. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Noite

Era madrugada. Andava aparentemente sem destino pelas ruas lúgubres da cidade. As vias eram escuras e sujas, repletas de restos humanos (vivos ou mortos). Suas mãos estavam sujas, eles estava sujo. Ninguém notava, inclusive ele mesmo. Ele continuava andando, e não dava atenção ao trânsito desordenado. Um homem sentado disse ao vê-lo passar: - "Aquele parece buscar a morte!". Talvez fosse isso, mas a morte - desatenta - não fez questão.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Ilusão

Convivia com tantos problemas que - com o passar dos anos - tornou-se uma pessoa indiferente. Tinha consciência de todos os problemas que enfrentava, mas não os enfrentava. Resmungava, a ponto de se tornar insuportável até para si mesmo. Quando a vida tornou-se absolutamente intragável ele parou de viver, imaginando ser essa a solução. Era ilusão!

Eclipse

Sentara num boteco. Resolvera que ficaria ali até o outro dia, bebendo e esperando o dia amanhecer. O dia não amanhecia, e ele se escureceu completamente.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Ressureição

Dormia todas as noites pensando em seu destino. Pensava em como era difícil ser ele mesmo. Fazer as escolhas que lhe convinham, tratar-se com aquele desleixo natural das pessoas sem um pingo de amor-próprio e sobretudo sentindo-se um completo inútil. A vida não era fácil, mas ele dormia!  E ressuscitava todas as manhã sem expectativas de noites melhores.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Herança maldita

Ele era um homem comum. Desses que a gente vê em todas as esquinas de todas as cidades. Nasceu ouvindo do pai "Engole esse choro, moleque de merda. Homem que é homem não chora.", a mãe nunca o deixou lavar uma louça, até porque, se fizesse isso, levava safanão do pai quando este chegava tarde da noite embriagado.
Nisso, tornou-se o mesmo homem que odiava tanto quando criança, tornou-se o único homem que sabia ser, já tinha entendido que era um "homem de merda" e assim perpetuava essa herança maldita gritando com o filho, batendo na mulher, embriagando-se, cantando as meninas pelo caminho.


terça-feira, 17 de março de 2015

Marcela

De manhã Marcela chovia. Se arrastava até o trabalho com uma falta de esperança digna de fazer uma criança desejar voltar instantaneamente ao ventre materno por entender que a humanidade está mesmo perdida. Ao passar do dia Marcela ia ensolarando, um sorriso brotava e uma pequena luz de esperança vaga e boba acendia seu olhar. Aos sábados, Marcela brilhava no esplendor da noite pra depois, florescer nas manhãs de domingo. E todos os dias, Marcela era meu amor.